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NUTRIÇÃO – Informe Quatree

Alimentos livres de grãos transgênicos

POR ANA FLÁVIA CHIZZOTTI

Os termos, transgênicos e organismos geneticamente modificados se referem a organismos que, por ação do homem, tenham sequências de DNA de outras espécies inseridas no seu DNA, de modo a expressar características desejadas do organismo doador. Desde os anos 80, a engenharia genética é utilizada para inserir novas características nas plantas. Entretanto, o cultivo de plantas transgênicas e o consumo humano e animal de seus derivados é recente, sendo um tema sobre o qual predominam discussões científicas, éticas e políticas.

As principais preocupações quanto ao uso de alimentos transgênicos na nutrição animal são a possibilidade de transferência de genes marcadores de resistência a antibióticos para bactérias do trato digestivo animal e os efeitos indesejáveis na saúde e bem-estar dos animais e do ser humano.
Desde a liberação do uso de plantas transgênicas no Brasil em 2003, não foi detectado nenhum efeito deletério da utilização de soja e milho transgênicos na nutrição animal ou relacionado ao consumo de seus derivados. Este ingrediente, para alguns, é visto como vilão de fórmulas para animais de estimação quando posto à prova de questões econômicas, éticas, tendências, impactos ou riscos para a segurança alimentar e nutricional.

Atualmente, o milho está presente na maior parte das formulações de alimentos para animais de estimação no Brasil e pode variar entre 20 e 60% da formulação de alimentos pets. Fornecem de 30% a 60% da energia metabolizável dos alimentos secos extrusados, a depender se sua composição química.

Cães e gatos podem ter sua nutrição toda baseada em um único alimento, a ração, a indústria de alimentos procura acompanhar as demandas do mercado para trazer o que há de mais atual e saudável na produção de alimentos para animais de estimação.

Os ingredientes para nutrição pet devem ser pensados a partir da sua funcionalidade e equilíbrio nutricional. Fontes alternativas de alimentos, que possam ser utilizados nos alimentos completos, e que sejam produzidas de forma não convencional estão em alta na alimentação de cães e gatos.

Fontes alternativas de carboidratos não transgênicos:
Quirera de arroz é o fragmento de grão de arroz descascado e polido que passa em peneira de furos circulares de 1,6 milímetros de diâmetro. É um carboidrato simples altamente digestível e energético. É rica em minerais, principalmente em fósforo e manganês.

Sorgo é um carboidrato complexo que demora mais tempo para ser metabolizado pelo organismo e libera energia de forma mais gradativa após a alimentação. O sorgo é indicado como um bom substituto do milho na produção agrícola e na alimentação animal.

Batata-doce tem elevado teor de amido (50 – 70%) e variável quantidade de fibra dietética total (5% – 14%), o que pode trazer benefícios para a saúde intestinal. Além de ser ingrediente que pode ser empregado em alimentos livres de grãos ou grain free.

Ervilhas e lentilhas são leguminosas fontes de amido de digestão mais lenta, resultam em menor glicemia, pois geram liberação mais lenta e gradual da glicose no sangue.

Batata e mandioca são tubérculos que apresentam elevado teor de amilopectina e promovem maiores respostas glicêmicas.

A formulação dos alimentos visa contemplar diferentes aspectos da saúde animal, contribuindo para que tenham uma vida mais saudável. Os alimentos livres de ingredientes transgênicos são uma alternativa e podem apresentar benefícios à saúde dos cães e gatos, como fontes energéticas de alta digestibilidade ou o uso de fontes de amido de digestão mais lenta, favorecendo o controle glicêmico. Um alimento composto por fórmulas balanceadas favorece uma vida mais longa e saudável para os animais.

ANA FLAVIA CHIZZOTTI
Coordenadora Técnica Granvita, médica-veterinária com mestrado em Nutrição de Cães e Gatos pela Universidade Federal de Lavras (UFLA/MG)

Referências bibliográficas

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