Vet&Share

Nutrição – Informe Royal Canin 

Benefícios dos alimentos úmidos para felinos com sensibilidade digestiva

Por Priscila Rizelo

Os gatos, frequentemente, podem apresentar algum grau de sensibilidade ligada ao sistema digestivo. Os sinais mais comuns nesses casos são a baixa qualidade das fezes, com grande volume e, ocasionalmente, leve desconforto digestivo e regurgitação. Este quadro, muitas vezes, não é grave à ponto de caracterizar uma condição patológica (1).

Estes sinais indicam que estes animais têm sensibilidade a um alimento. A tolerância digestiva está relacionada com a qualidade e composição dos alimentos e com a capacidade de digestão e absorção do animal.

A tolerância digestiva do animal a um determinado alimento é avaliada examinando as características das fezes. Os parâmetros utilizados para avaliar a qualidade das fezes são: o teor de umidade, consistência, volume, odor e coloração. Como regra geral, a baixa tolerância é demonstrada pelas fezes úmidas, amolecidas, volumosas, com odor e cor anormais.

A qualidade de um alimento também é um dos fatores que afetam a umidade e a consistência das fezes. Um alimento de baixa qualidade, isto é, de baixa digestibilidade, leva a um fluxo de resíduos não digeridos para o cólon, aumentando assim a fermentação e, portanto, o teor de água das fezes (2).

Outro fator que desemprenha um papel importante na motilidade intestinal e na consistência das fezes é o estresse. Verificou-se que o estresse diminui o esvaziamento gástrico (3), mas acelera o trânsito no cólon (4), o que parece ser a principal causa de fezes líquidas observadas na maioria dos animais estressados.

É possível melhorarmos a qualidade das fezes nos animais que apresentam sensibilidade com alimentos de alta qualidade e formulados com nutrientes capazes de otimizar a digestão. Animais com sensibilidade digestiva se beneficiam de alimentos de altíssima digestibilidade, que limitam a quantidade de proteínas não digeríveis no cólon, reduzem o volume de fezes, limitam a fermentação das proteínas, reduzem maus odores e melhoram a eficiência do sistema digestivo (5). Uma tecnologia que ajuda a melhorar a digestibilidade do amido é a gelatinização. Neste processo, o amido passa pela decomposição das ligações intermoleculares sob água e calor. O grau de gelatinização do amido pode influenciar a qualidade fecal (6). O balanço ideal de fibras fermentáveis e não fermentáveis ajuda a regular o trânsito intestinal e garantir uma boa consistência das fezes (7).

É comum animais com sensibilidade digestiva apresentam apetite seletivo. Nestes casos, alimentos úmidos formulados para pets com sensibilidade digestiva são fundamentais para estimular o apetite. Eles são extremamente palatáveis e podem ser consumidos como fonte única de alimentação ou combinados com o alimento seco que compartilha dos mesmos benefícios para a saúde digestiva.

O alimento úmido específico para animais com sensibilidade digestiva possui alta digestibilidade, balanço ideal de fibras e prebióticos para a saúde intestinal, ajuda a promover uma ótima qualidade das fezes, torna a refeição muito mais atrativa e ainda oferece os benefícios associados ao alto teor de umidade do alimento como maior ingestão de água e diluição urinária.

Priscila Rizelo
Coordenadora de Comunicação Científica – Royal Canin do Brasil

Referências bibliográficas

  • Royal Canin dog & cat segmentation study (total country: USA, France, Russia, Japan, UK, Japan), 2012.
  • Burrows et al. Effects of fiber on digestibility and transit time in dogs. Journal of nutrition.1982 Sep;112(9):1726-32.
  • Weber, M, L Martin, V Biourge, P Nguyen, and H Dumon. 2003. “Influence of Age and Body Size on the Digestibility of a Dry Expanded Diet in Dogs.” Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition 87 (1-2) (February): 21–31. doi:14511146.
  • Xu et al. 2005. Effects of enhanced viscosity on canine gastric and intestinal motility. Journal of Gastroenterology and Hepatology; Volume 20, Issue 3:387–394.Bliss 2001
  • Nery, J, R Goudez, V Biourge, C Tournier, V Leray, L Martin, C Thorin, P Nguyen, and H Dumon. 2012. “Influence of Dietary Protein Content and Source on Colonic Fermentative Activity in Dogs Differing in Body Size and Digestive Tolerance.” Journal of Animal Science (February 10). doi:10.2527/jas.2011-4112. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22328724.
  • Nery et al. 2012 Nery, J, V Biourge, C Tournier, V Leray, L Martin, H Dumon, and P Nguyen. 2010. “Influence of Dietary Protein Content and Source on Fecal Quality, Electrolyte Concentrations, and Osmolarity, and Digestibility in Dogs Differing in Body Size.” Journal of Animal Science 88 (1) (January): 159–169. doi:10.2527/jas.2008-1666.
  • Swanson, Kelly S, Christine M Grieshop, Elizabeth A Flickinger, Laura L Bauer, Hans-Peter Healy, Karl A Dawson, Neal R Merchen, and George C Fahey Jr. 2002. “Supplemental Fructooligosaccharides and Mannanoligosaccharides Influence Immune Function, Ileal and Total Tract Nutrient Digestibilities, Microbial Populations and Concentrations of Protein Catabolites in the Large Bowel of Dogs.” The Journal of Nutrition 132 (5) (May): 980–989.