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GIOSO

COVID 19 e o mercado veterinário

Por Marco Antônio Gioso e Eduardo Achoa

Tudo caminhava na mais tranquila normalidade, até que as primeiras notícias de uma nova doença que surgiu na China começaram a se espalhar pelo mundo. No início ninguém sabia muita coisa, parecia mais daquelas doenças que iriam dizimar metade da população e que no final não causaram nada de mais, mas em pouco tempo tudo “virou de cabeça para baixo”. A circulação de pessoas foi restringida e, como consequência, muitos negócios foram extintos, outros nasceram e muitos prosperaram.

A grande lição que fica: daqui para frente, tudo vai mudar e cada vez mais rápido. E qual a grande habilidade que teremos que desenvolver cada vez mais? A capacidade de adaptação! E qual foi o impacto destes fatos no “mundo veterinário”?

A restrição na circulação das pessoas obrigou-as a trabalhar de suas casas, tornando-as carentes de relacionamentos interpessoais e causando um primeiro reflexo no mercado veterinário que foi o aumento na compra e adoção de animais de estimação.

Outra consequência direta foi que o convívio por mais tempo com seus pets fez com que os problemas, até então ignorados, como pequenas dificuldades de locomoção, excesso de tártaro nos dentes, problemas de pele e outros mais, chamassem mais a atenção de seus tutores.
Há quem diga que, como as clínicas veterinárias não fecharam, tornaram-se um “passeio”, em um momento em que havia pouquíssimas opções de lazer. O importante é que uma parte do mercado veterinário, como clínicas, hospitais e laboratórios de médio e grande porte cresceram durante a pandemia. Mas e a tal da capacidade de adaptação? Por que alguns cresceram e outros fecharam?

Enquanto muitos esperavam os clientes chegarem, alguns passaram a sugerir a execução das cirurgias mais complexas, pois os tutores poderiam acompanhar mais de perto o pós-operatório, outros divulgaram vídeos explicando os procedimentos de segurança aplicados no estabelecimento, com a opção do tutor sequer sair do carro, retirando o animal ainda do veículo e devolvendo-o da mesma forma e, assim, se diferenciando dos demais, além de muitas outras atitudes.

Outra consequência foi o aumento dos serviços de entrega domiciliar, impactando diretamente os pet shops que já viviam momentos difíceis com o crescimento das grandes redes e, novamente, a capacidade de adaptação se mostrou importante. Muitas clínicas reduziram a área de loja, ampliaram suas farmácias e criaram novos serviços como reabilitação, transformando seu pet shop em uma “loja de conveniência” trabalhando com margens de lucro maiores, não se preocupando com a recorrência da compra.

A grande lição que o “mundo veterinário” aprendeu foi que precisa ser cada vez mais ágil nas suas decisões. Para que isso aconteça, ter uma boa gestão financeira e estratégica do seu negócio se tornou imprescindível, pois só temos uma certeza: tudo vai continuar mudando e cada vez mais rápido!

Marco Antônio Gioso
Médico-veterinário e cirurgião dentista pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente é livre docente da Faculdade Medicina Veterinária e Zootecnia – FMVZ/USP
@marco_gioso

Eduardo Achoa