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AQUARISMO – Informe Alcon

Ictio: parasitas no aquário

Quase todo aquarista já se deparou com o surgimento de pontos brancos em seus peixes, especialmente após quedas bruscas de temperatura que ocorrem no inverno.

Causado pelo protozoário ciliado Ichthyophthirius multifiliis, o Ictio ou doença dos pontos brancos é uma das patologias mais comuns e conhecidas no aquarismo, podendo causar infecções em praticamente todas as espécies de peixes em aquários de água doce e está entre os principais parasitas que causam perdas na produção de peixes ornamentais.

A ictiofitiríase acomete severamente os peixes ornamentais, pois além da infecção causada pelo próprio protozoário, a penetração do parasita no hospedeiro provoca lesões nos tecidos, facilitando infecções secundárias por bactérias e outros agentes patogênicos, que podem se espalhar rapidamente por todo o organismo.

A parasitose é particularmente grave quando ocorre nas brânquias, pois causa sérios problemas respiratórios, se não for combatida a tempo, pode provocar rapidamente a morte dos peixes (HOFFMAN e BAUER, 1971; HINES e SPIRA, 1973; EWING et al., 1994).

Esse protozoário pode ser inserido no sistema após a introdução de peixes já infectados que não passaram por uma quarentena, via plantas ou por meio de equipamentos compartilhados com outros aquários.
Entre os danos causados por I. multifiliis, destacam-se forte irritação, prurido e grande produção de muco na pele e brânquias. Os hospedeiros tornam-se agitados e realizam movimentos violentos de fricção, chocando-se contra as paredes e fundo dos tanques, entrando, após algum tempo, em estado de apatia (PRIETO et al., 1991).

A forma mais comum de transmissão é a horizontal, onde o peixe contaminado torna-se a principal fonte disseminadora do parasita no ecossistema que se encontra. O ciclo de vida deste protozoário é composto por quatro formas distintas: teronte, trofonte, tomonte e tomito.
O teronte é a forma que apresenta natação livre, onde após a penetração no tegumento, o teronte sofre algumas mudanças estruturais, quando então passa a ser denominado trofonte (DICKERSON e DAWE, 2006).

Ao evoluir para a fase tomonte, o parasita deixa o peixe e secreta um cisto de proteção onde ocorrem inúmeras divisões celulares, formando os tomitos. Já os tomitos, diferenciam-se em terontes infectantes, que perfuram a parede do cisto e nadam na água em busca de um novo hospedeiro para completar o ciclo novamente (PÁDUA et al., 2012).

O tratamento envolve o uso de medicamento Labcon Ictio, seguindo as orientações da bula e a estabilidade da temperatura acima de 25 graus Célsius. Antes de cada aplicação do medicamento é importante realizar uma troca parcial de água com sifonagem do fundo.

Como o Labcon Ictio tem o sulfato de cobre em sua composição, o neutralizador de cloro não pode atuar sobre metais, assim, utilize somente o Labcon Anticlor.
Alguns peixes como o faca, tetra-neon e peixe sem escamas, apresentam hipersensibilidade ao princípio ativo do medicamento, portanto, não é recomendado a utilização em aquários habitados por estas espécies.

Também não é indicado o uso do produto em águas com reserva alcalina (KH) inferior a 3 °dH, pois pode haver queda brusca do pH do sistema. Essa característica da água pode ser conferida com Labcon Test Dureza em Carbonatos KH.

É importante destacar que peixes bem alimentados apresentam maior resistência às doenças, desta forma, o Alcon Guard Herbal é uma excelente opção para esta finalidade, podendo ser oferecido antes, durante e após o tratamento com o medicamento Labcon Ictio.
A melhor forma de prevenção é manter os parâmetros de qualidade da água sempre estáveis e realizar o processo de quarentena ou desinfecção em novos exemplares.

Cuidar é essencial!

Vitrine

Autor:
Max Ternero Cangani
Mestre em Microbiologia Agropecuária
Doutor em Zootecnia

Colaboradores:
Carlos Augusto Nicolino
Mestre e Doutor em Patologia Veterinária

Eva Schneider
Graduanda em Medicina Veterinária

Referências
DICKERSON, H.W. and DAWE, D.I. 2006. Icthyophthirius multifiliis and Cryptocaryon irritans (Phylum Ciliophora).In: Woo P.T.K., editor. Fish Diseases and Disorders: Protozoan and Metazoan Infections, vol. 2. CABI, New York, p. 181- 227.

EWING, M.S.; BLACK, M.C.; BLAZER, K.M.; KOCAN, K.M. Plasma chloride and gill epitelial response of channel catfish infestation with Ichthyophthirius multifiliis. Journal of Aquatic Animal Health, v. 6, p. 187-196, 1994.

HINES, R.S.; SPIRA, D.T. Ichthyophthirius multifiliis (Fouquet) in the mirror carp, Cyprinus carpio (L.). I. Course of infection. Journal of Fish Biology, v. 5, p. 385-392, 1973.

HOFFMAN, G.L.; BAUER, O.N. Fish parasitology in water reservoirs: review. In: Reservoir Fisheries and Limnology. Special publication, Washington, DC. American Fisheries Society, v. 8, p. 459-551, 1971.

PÁDUA, S.B.; MENEZES‐FILHO, R.N.; DIAS‐NETO, J.; JERÔNIMO, G.T.; Ishikawa, M.M.; Martins, M.L. Ictiofitiríase: conhecendo a doença para elaborar estratégias de controle. Panorama da Aquicultura, 22‐31, 2012.

PRIETO, A.; FAJER, E.; VINJOY, M. Manual para la prevencion e el tratamiento de enfermedades en peces de cultivo en agua doce. Santiago: FAO, 1991, 65 p.