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CAPA

Os três tipos de sarna canina

Entrevista Mariana Vilela, da redação

A sarna canina é uma doença causada por ácaro alojado na pele do animal. Há três tipos de sarnas canina que são causadas por ácaros diferentes e com formas de tratamento distintas

S arna canina não é tudo igual e que há três tipos: a sarna demodécica, sarcóptica a otodécica. Os diferentes tipos de sarnas são dermatoses parasitárias comuns na rotina clínica de atendimentos. O médico-veterinário dermatólogo, Raphael Rocha, que atua na área de dermatologia e alergologia veterinária, com pós-graduação, mestrado e doutorado na área, afirma que: “Atualmente, observamos uma diminuição nos números de casos atendidos, já que ocorreu uma grande evolução nos tratamentos das sarnas”.

De acordo com Dr. Raphael, a sarna sarcóptica e demodécica pode acometer todo corpo do animal, já a otodécica fica mais restrita nas orelhas (conduto auditivo). “São doenças parasitárias, a causa é a infecção do ácaro na pele. Eles se alojam nas camadas superficiais da pele (epiderme) ou conduto auditivo (caso da sarna otodécica) causando inflamação, prurido intenso, lesões crostosas e infecções bacterianas secundárias. São ácaros distintos. A sarna sarcóptica e otodécica são agentes parasitários contagiosos e curáveis. Já a sarna demodécica não é transmissível e não curável”.

Cada sarna tem sua particularidade na realização de exames complementares e, de acordo com Dr. Raphael, somente com a realização desses exames é possível confirmar o diagnóstico das sarnas.

O diagnóstico clássico para sarnas sarcóptica e demodécica é através da pesquisa do parasito na pele por microscopia, utilizando o procedimento de raspado cutâneo. Outros métodos podem ser realizados, como o tricograma e a técnica utilizando a fita de acetato. Já na sarna otodécica, realiza-se a coleta de material (cerúmen) dos condutos e análise microscópica ou a observação direta do parasita na otoscopia, já determina o diagnóstico. Fechado o diagnóstico, uma vez identificado a presença da sarna, o tratamento adequado pode ser realizado.

Ao realizar o tratamento. Dr. Raphael destaca que não vê preocupações com as medicações mais utilizadas atualmente. “Hoje as medicações mais modernas para o tratamento das sarnas, como as isoxazolinas são muito eficazes e seguras. Importante ressaltar a correta eliminação das infecções secundárias e o tempo adequado de tratamento e condução necessária para a alta clínica, após a obtenção de exames complementares negativos”.

Ao orientar o tutor quanto a prevenção das sarnas, é preciso informar sempre as diferenças entre as sarnas, destacando seu caráter transmissível e zoonótico. “A prevenção envolve a melhora do manejo básico para uma plena saúde, garantindo boa imunidade, impedir o contato com outros animais doentes e realizar o isolamento e higienização dos utensílios em caso de positividade, evitando transmissão para outros cães”, pontua.

Os casos mais desafiadores, na avaliação de Dr. Raphael são os associados as sarnas demodécica, principalmente animais com problemas cutâneos generalizados, com infecções profundas. “Lembro de um filhote de pitbull com poucos meses de idade, que precisou de cuidados intensivos, já que seu quadro infeccioso e parasitário era muito severo”, recorda e conclui:” As sarnas ainda são dermatoses parasitarias comuns na rotina de uma clínica de pequenos animais, porém os tratamentos cada vez mais eficazes e rápidos mudaram nos últimos anos nossa conduta clínica e evitou problemas crônicos e severos em nossos pacientes”.

RAPHAEL ROCHA
Médico-veterinário, atua na área de dermatologia e alergologia veterinária. Tenho mestrado e doutorado na área, além da pós-graduação em dermatologia veterinária.

Instagram:
@raphaelrocha.dermatovet

E-mail:
raphaelrocha@dermato.vet

Review: Sarna sarcóptica (Sarcoptes scabiei)

A sarna sarcóptica é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. Conhecida também como “sarna canina”, é uma das doenças de pele mais antigas e uma das mais comuns em cachorros, porém também pode ser vista em felinos e transmitida para seres humanos (zoonose). Os animais afetados desenvolvem rapidamente hipersensibilidade ao ácaro, resultando em prurido severo.

O animal com esse tipo de sarna apresenta muita vermelhidão na pele, coceira intensa e crostas na pele, como se fossem cascas. Pode ser transmitido pelo contato direto entre os animais ou por meio de objetos ou locais. Por essa razão, é recomendado utilizar luvas de látex para ter contato físico com um animal infectado. Já nos humanos é popularmente conhecida como “escabiose”.

A sarna sarcóptica é considerada uma doença relativamente fácil de tratar e o tratamento pode variar de acordo com as características de cada caso e do animal. O tratamento inclui uso de shampoos com ação acaricida, além da administração de medicamentos orais ou injetáveis. O uso de antibióticos também se torna necessário quando há lesões infeccionadas.

Sarna sarcóptica: características clínicas

A sarna sarcóptica é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei. Conhecida também como “sarna canina”, é uma das doenças de pele mais antigas e uma das mais comuns em cachorros, porém também pode ser vista em felinos e transmitida para seres humanos (zoonose). Os animais afetados desenvolvem rapidamente hipersensibilidade ao ácaro, resultando em prurido severo.

O animal com esse tipo de sarna apresenta muita vermelhidão na pele, coceira intensa e crostas na pele, como se fossem cascas. Pode ser transmitido pelo contato direto entre os animais ou por meio de objetos ou locais. Por essa razão, é recomendado utilizar luvas de látex para ter contato físico com um animal infectado. Já nos humanos é popularmente conhecida como “escabiose”.
A sarna sarcóptica é considerada uma doença relativamente fácil de tratar e o tratamento pode variar de acordo com as características de cada caso e do animal. O tratamento inclui uso de shampoos com ação acaricida, além da administração de medicamentos orais ou injetáveis. O uso de antibióticos também se torna necessário quando há lesões infeccionadas.

Fonte: David Grant – veterinary-practice.com/article/treating-canine-scabies

Review: Sarna demodécica (Demodex canis)

É causada pela excessiva proliferação de ácaros Demodex canis. A proliferação deve-se a fatores genéticos e/ou imunitários, já que este parasita vive normalmente nos folículos da maioria dos cães saudáveis. A transmissão acontece durante as primeiras horas de vida por meio do contacto direto com mãe e a doença pode manifestar-se com uma diversidade de quadros clínicos.

Existem duas formas da doença: localizada e generalizada. A forma localizada, é vista normalmente em cães antes dos seis meses de vida, e com lesões focais. Já forma generalizada surge em cães com menos de 1 ano, ou em animais adultos ou idosos afetados por alguma doença interna, tumores ou tratamentos imunossupressores. Algumas raças apresentam predisposição como por exemplo: pastor alemão, bobtail, collie, dálmata, grand danois, boxer, dobermann, afegão.

Fonte: Dr. Luís Ferrer – www.affinity-petcare.com/vetsandclinics/pt/revisao-da-demodex-canis-ou-demodicose-canina/)

Sarna demodécica: características clínicas


É uma doença passível de ser confundida com outras doenças de pele, por isso a anamnese e o exame clínico são imprescindíveis no atendimento veterinário. As recomendações de tratamento e prognósticos adequados variam conforme a apresentação clínica, com as espécies de Demodex e estágios de vida identificados. O sucesso do tratamento depende, primeiramente, de identificar que um animal pode ter sarna demodécica. Isso nem sempre é fácil, já que os pacientes afetados podem apresentar diferentes formas, por exemplo:

  • Dermatite papulopustular – facilmente confundido com doença cutânea bacteriana
    Aparência de “mordida de traça” da pelagem (máculas ou manchas alopécicas) – principalmente em cães com pelo curto, e facilmente confundida com doença cutânea bacteriana, dermatofitose e anomalias no folículo dos pelos.
  • Dermatite eritematosa anteriormente conhecida como “sarna vermelha”.
  • Manchas/comedões hiperpigmentados – os tutores, por vezes, reclamam que a pele está “ficando azul”.
  • Crostas – facilmente confundidas com uma dermatose descamativa ou infecção.
  • Pododemodicose – O Demodex pode ser particularmente difícil de diagnosticar nesses casos.

Fonte: portalvet.royalcanin.com.br/saude-e-nutricao/dermatologia/demodicose-canina-e-felina/

Review: Sarna otodécica (Otodectes cynotis)

Essa doença é causada por uma infestação do ácaro Otodectes cynotis que pode acometer cães e gatos domésticos. Por conta de o ciclo de atividades do ácaro ocorrerem na superfície da epiderme do conduto auditivo dos animais infectados, ele é definido como “ácaro não escavador”. O ácaro se alimenta de fluidos teciduais e resíduos epidérmicos e na busca intensa por alimento, o ácaro causa irritação e prurido intenso que é a principal queixa do tutor em relação aos sinais clínicos da sarna otodécica. Tais alterações podem favorecer o aumento da colonização de microrganismos que habitam naturalmente no conduto auditivo, como a levedura Malassezia pachidermatis, o que contribui para o agravamento do caso. A existência de exsudato ceruminoso de cor marrom avermelhada e odor de tabaco evidencia a presença do ácaro no ouvido externo do animal.

Um tratamento bem elaborado contribui para o bom prognóstico da enfermidade. A limpeza do conduto auditivo é extremamente importante no tratamento, pois o acúmulo de secreções contribui para a proliferação de ácaros, bactérias e fungos, e, também podem impedir o contato dos medicamentos com a superfície auricular, diminuindo significativamente a sua ação. Geralmente, as formulações auriculares de uso tópico são compostas por três famílias farmacológicas: antibacterianos, antifúngicos e corticosteroides.

Fonte: SARNA OTODÉCICA – UMA REVISÃO – Maisa de CAMPOS, Noedi Leoni de FREITAS, Deriane Elias GOMES – revistas.unilago.edu.br/index.php/revista-cientifica/article/view/224

Sarna otodécica: características clínicas

Os sinais clínicos podem apresentar-se de forma isolada ou em conjunto:

  • Prurido intenso
  • Crostas marrom avermelhadas
  • Exsudato castanho enegrecido de odor semelhante a tabaco
  • Irritação
  • Pápulas
  • Eritema
  • Automutilação (decorrente do prurido)
  • Meneios cefálicos
  • Alopecia nas orelhas
  • Infeções fúngicas e bacterianas secundárias, sendo comum a associação da levedura Malassezia pachydermatiss
  • Reflexo otopodal

Obs.: Os felinos, diferente de outras espécies, pois toleram melhor a infestação, podem ser assintomáticos.

Fonte: DIENSTMANN, Sabrina. Revisão sobre otite externa parasitária por otodectes cynotis em cães e gatos, com enfoque no potencial terapêutico da selamectina. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, p., 26 jan. 2010.